Histórico de Ascurra

A “Freguesia” de Ascurra

A história da origem de Ascurra inicia em 1874, quando o Dr. Hermann Blumenau enviou agrimensores para mapear e delimitar os lotes nas proximidades do Ribeirão São Paulo. Na ocasião, foi dado o nome de “Ascurra” em homenagem a vitória decisiva das forças brasileiras na Guerra do Paraguai em 1869, em que o exército paraguaio se deu por vencido. Sendo assim, quando os primeiros imigrantes chegam em 1876 o território a que vieram povoar já possuía um nome. (FINARDI, 1976)

Os imigrantes

Os primeiros imigrantes a povoarem Ascurra vieram pelo Ribeirão São Pedro em Rodeio, entrando na linha colonial Ribeirão São Paulo. Esta foi a primeira comunidade de Ascurra, onde instalou-se imigrantes oriundos da região do Vêneto, Lombardia e do Tirol. Os tiroleses eram súditos austríacos de fala italiana (DALLABRIDA, 2015). Os primeiros moradores começaram a se instalar em Ribeirão São Paulo em novembro de 1876. Em dezembro do mesmo ano, chegavam os primeiros moradores de Guaricanas.

A viagem dos imigrantes durava aproximadamente 40 dias, partindo do porto francês de Le Havre ou do italiano de Gênova até o Rio de Janeiro, na época, capital do Império do Brasil. O sonho de migrar para a América consistia em uma busca por melhores condições de vida, onde poderiam adquirir terras para viverem da agricultura familiar, uma vez que na Europa viviam em um sistema semifeudal, trabalhando nas propriedades de terceiros (DALMOLIN, 2020).

Na busca por sobrevivência, os imigrantes criavam várias estratégias de superação em meio ao clima e às florestas brasileiras. Entre essas estratégias esteve o surgimento de cooperativas agrícolas que buscavam exportar tabaco e outros produtos agrícolas para o continente europeu (BERRI, 1993). Outras atividades foram surgindo, como o surgimento de atafonas (moinhos) para beneficiamento da farinha, batedeiras de arroz, fabricação de vinho e cachaça e entre outras.

A religiosidade

A religiosidade era parte fundamental dessas comunidades italianas do Médio Vale do Itajaí (BERRI, 1988). Os imigrantes italianos e tiroleses eram católicos. Nos primeiros anos eram assistidos pelo pároco de Blumenau, Padre José Maria Jacobs e às vezes pelos padres jesuítas de Nova Trento. Em 1892 com a chegada dos padres franciscanos na paróquia, Ascurra passa a ser assistida por Frei Lucínio Korte, que apesar de alemão falavam bem o italiano. No ano de 1900 é fundada a paróquia de Rodeio, na qual Ascurra fazia parte. Com o tempo, após inúmeros conflitos políticos e ideológicos, Ascurra conseguiu firmar-se paróquia no ano de 1912. Entre as demandas do povo ascurrense estava o anseio de ser atendido por padres italianos, além da autonomia de ter sua própria paróquia (DALMOLIN, 2020).

Desta forma, Ascurra desmembrou-se da Paróquia de Rodeio, levando consigo as capelas instaladas nos atuais municípios de Ascurra, Apiúna, Ibirama, Lontras, Rio do Oeste, Agronômica, Rio do Sul e entre outras. O primeiro pároco (vigário) foi João Canônico, realizando o desejo da comunidade ascurrense de ser atendido por um padre italiano. Padre Canônico formou-se sacerdote em Turim e havia exercido a mesma função em Criciúma, sul de Santa Catarina. Atendia a comunidade com prontidão. Em 1914, deixou a paróquia após vários desentendimentos com os frades de Rodeio. Entre junho de 1914 e dezembro de 1916, a paróquia de Ascurra foi administrada por Frei Policarpo Schuhen, então pároco de Rodeio, com bastante dificuldade dado o desagrado da comunidade. (BUZZI, 2021)

Em dezembro de 1916, assume o Pe. Angelo Alberti como pároco de Ascurra, pertence à ordem dos salesianos. Os padres salesianos eram de nacionalidade italiana, atendendo as expectativas da comunidade, especialmente da capela Santo Ambrósio, já que a maioria dos membros de Sagrada Família (Ribeirão São Paulo) eram fiéis aos franciscanos de Rodeio. Seguindo os ensinamentos de Dom Bosco, aos poucos os salesianos foram conquistando toda a comunidade de Ascurra e demais comunidades pertencentes à paróquia. A partir da década de 1920 a Paróquia de Ascurra limitou-se as comunidades de Ascurra, Apiúna, Ibirama e Lontras. O primeiro padre ascurrense a trabalhar na comunidade foi Pe. Silvio Mondini. Os salesianos deixaram Ascurra em 2016, após 100 anos de dedicação pela cidade. A paróquia ficou exclusivamente aos cuidados dos padres diocesanos.

A Emancipação de Ascurra

Desde os tempos coloniais, Ascurra pertencia à Blumenau. Em 1919, Ascurra tornou-se distrito, ganhando maior autonomia política, sendo o primeiro intendente o Sr. Luiz Isolani. Em 1929, por conta da profunda crise financeira potencializada com a Queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque e da baixa arrecadação dos distritos de Ascurra e Rodeio, estas duas localidades foram unificadas e transformadas no Distrito de Arrozal. Essa situação mudou apenas em 1933, quando a decisão foi dissolvida e os antigos distritos restituídos. (CANI, 2011)

Com a tomada de Getúlio Vargas à presidência do Brasil, uma série de novos municípios surgiram com o objetivo de minimizar os conflitos políticos internos e unificar a identidade brasileira em um contexto em que grande parte da população era estrangeira. Nesse sentido, surgiu em 1934 o município de Indaial, abrangendo também as localidades de Ascurra e Apiúna (antiga Aquidaban). Durante 29 anos, Ascurra pertenceu a Indaial, até que em 1963 o vereador Aldo Valdir Pintarelli apresentou em uma sessão na Câmara de Vereadores o projeto de emancipação do distrito de Ascurra. Após calorosos debates, Ascurra foi emancipada com apoio do deputado Abel Ávila dos Santos na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O fato foi consumado em 7 de abril de 1963 e o primeiro prefeito nomeado foi José Buzzi (BUZZI, 2021).

Lista dos pioneiros

Ribeirão São Paulo: AVANCINI Alessandro, BARBETTA Elia, BAZZANELLA Giuseppe, BERTELLI Guerino, BERTELLI Giuseppe, BERTELLI Pietro, BETTINI Luciano, BONA Albino, BONA Daniele, BONA Giosuè, BONETTI Giuseppe, BUZZI Battista, BUZZI Ferdinando, BUZZI Giovanni, CATAFESTA Luigi, CATAFESTA Vittorio, CHIARELLI Andrea, CHIARELLI Giovanni, CHIMINELLO Antonio, DAGNONI Giovanni, DALFOVO Carlo, DALFOVO Giàcomo, DALPIAZ Giovanni, FACHINI Luigi, FACHINI Marco, FAES Nicolo, FELIPPI Eugenio, FELIPPI Giuseppe, FELIPPI Salvatore, FERRARI Antonio, FILAGRANA Benamino, FORCELINI Mosé, FRARE Giovanni, FRARE Mosé, GANDIN Bortolo, GIRARDI Gioacchino, GIRARDI Guerino, GIRARDI Cesare, GRAVA Giuseppe, LASTA Francesco, LEONELLO Luigi, LOSI Luigi, MACCON Giuseppe, MACOPPI Augustino, MAGARIANO Miguel, MAIOCCHI Angelo, MAIOLA Giuseppe, MARCARINI Antonio, MARCARINI Carlo, MARCARINI Luigi, MERINI Antonio, MERINI Giuseppe, ODORIZZI Antonio, ODORIZZI Giuseppe, PASSERO Giovanni, PEDRINI Giovanni, POFFO Ermenegildo, POLTRONIERI Giovanni, POSSAMAI Giàcomo, POSSAMAI Giàcomo, POSSAMAI Gottardo, POSSAMAI Mattei, RAFAELLI Emilio, RAFAELLI Giuseppe, RAFFAELLI Davide, ROSSETTI Luciano, SANDRI Enrico, SANDRI Pio, SIMEONI Giovanni, SIMONETTI Giàcomo, STEDILE Carlo, STEDILE Giuseppe, TAMBOSI Emanuele, TESSAROLLI Giovanni, TESTONI Alessandro, TESTONI Bernardo, TESTONI Francesco, TESTONI Giàcomo, TESTONI Vicenzo, TOMASI Francisco, TONOLLI Guilherme, TONON Giàcomo, VICENTINI Giuseppe, VIVIANI Giuseppe, ZENDRONI Paolo, ZONTA Alessandro, ZONTA Andrea e ZONTA Luigi.

Guaricanas: ANDREANI Angelo, ANDREANI Giovanni, AVANCINI Alessandro, AVANCINI Carlo, BAZZANI Paolo, BERTOLDI Giuseppina, BIANCHET Antonio, BIZ Giovanni, BRAGAGNOLO Pietro, BRANCHER Octavio, CARGNIEL Fioravante, CASAGRANDE Vicenzo, CASTELLANI Pietro, CECHELERO Gregório, CECHET Giàcomo, CIMARDI Pietro, CONTI Bortolo, DAL CERE Bernardo, DALMOLIN Domenico, DALMOLIN Francesco, DALMOLIN Giovanni, DALMOLIN Giovanni Angelo, DAROLT Andrea, DEBARBA Giuseppe, DEBARBA Francesco, DEBARBA Pietro, DEGRAZIA Valentino, DELLA PIETÀ Luigi, DEMARCH Giuseppe, FELTRIN Agostino, FELTRIN Giovanni, FELTRIN Giuseppe, FISTAROL Antonio, FISTAROL Pietro, FORNARI Giuseppe, FUSINATO Angelo, FUSINATO Domenico, GEISER João Frederico, GRAVA Giovanni, ISOLANI Luigi, ISOLANI Santo, LANZNASTER Antonio, LEDRA Orelio, MARCONCINI Antonio, MASCHIO Felippe, MONDINI Giovanni, MONDINI Lorenzo, MONDINI Martino, MORETTO Angelo, MOSER Benamino, MOSER Francesco, NOLLI Santo, PISA Antonio, PISA Domenico, POSSAMAI Andrea, POSSAMAI Giovanni, POSSAMAI Pietro, PRADE Alessandro,PRADE Angelo, PRADE Francesco, PRADE Giovanni, PRADE Paolo, RINCO Luigi, SCHENALLI Santo, SCHIOCHET Francesco, TENESTRI Luigi, TONTINI Luigi e VENDRAMI Gaetano.

Ascurra (sede): BADALOTTI Nicola, BAZZANELA Arcangelo, BAZZANELLA Giàcomo, BAZZANELLA Giuseppe, BAZZANELLA Júlio, BONA Giosuè, BONETTI Celeste, BONETTI Ettore, BONETTI José, BONETTI Pedro, BRAATZ Fernando, BRAATZ Luiz, CECHELERO Gregório, CHIARELLI Antonio, FACHINI Felice, FÁVERO Giácomo, FELIPPI Emilio, FERRARI João, FINARDI Giuseppe,GIRARDI Pedro,ISOLANI Cesare, ISOLANI Floriano, ISOLANI Luiz, LARGURA Domenico, LESSO Pietro, LOSI Leonel, MORETTO Luiz, MORETTO Pedro, PELLIZZETTI Ermembergo, ROTHENBURG Carlos, SALTON Marco, SANDRI Albino, SANDRI Camilo, SANDRI Quiliano, SCHENALLI Santo, SCOTTINI Giacinto, SILVA Vicente Luiz da, SIMIANOWSKI Bruno, SOUZA Manoel Geraldo, TESTONI Francisco, TOMIO Angelo, TONOLLI Giuseppe, TRENTINI Pietro, VENDRAMI Olivio, VIGNOLA Alessio, VIVIANI Felice, VIZENTINI Pietro, VOIGT Ricardo, ZONTA Alessandro, ZONTA Antonio e  ZONTA Paolo.

Referências Bibliográficas

BERRI, Aléssio. A Igreja na colonização italiana no Médio Vale do Itajaí. Blumenau: Fundação “Casa Dr. Blumenau”, 1988.

BERRI, Aléssio. Imigrantes Italianos, criadores de riquezas. Blumenau: Fundação “Casa Dr. Blumenau”, 1993.

BUZZI, Amauri Alberto. Colonização e descendência de Ascurra: subsídios para a história do município 1876-2018. Blumenau: Edifurb, 2021.

CANI, Iracema Maria Moser. Rodeio: histórias e memórias. Indaial: Uniasselvi, 2011.

DALLABRIDA, Norberto. Imigração e Colonização de Trentinos e Italianos na Colônia Blumenau. Blumenau em Cadernos, Blumenau, t. 56, n. 6, p. 7-22, nov./dez. 2015.

DALMOLIN, Gabriel. A sociedade da capela: trabalho, fé e educação no povoado de Rodeio. Blumenau: Edifurb, 2020.

FINARDI, José Escalabrino. Colonização Italiana de Ascurra: subsídios para a história do município 1876-1976. Blumenau: Casa Dr. Blumenau, 1976.

GROSSELLI, Renzo M. Vencer ou Morrer: camponeses trentinos (vênetos e lombardos) nas florestas brasileiras Santa Catarina 1875-1900. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1987.

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